domingo, janeiro 21, 2018

Sussurro - Poema de Flora Figueiredo




Aquiete-se para ouvir o silêncio;
a clorofila escorre pela haste,
a sombra e o sol ecoam um contraste
de quentes e frios na linha divisória.


Tente escutar a história da brisa
quando passa empurrando
a bruma,que,tola, embaça a púrpura da rosa.
Esta conta prosa de sacerdotisa.


Faça atenção ao momento de explosão
da metamorfose
que irrompe em grande dose
de véus e açúcares.


Sinta o cochilo dos nenúfares.
Se conseguir atingir
o ponto mais profundo da quietude,
vai poder ouvir o coração do colibri.


Ele bate minúsculo num peito passarinho.
A Terra se mobiliza para entoar
uma sonata azul em homenagem
a esse músculo coberto de plumagem,
que tão pequenininho é tão capaz de amar.


Flora Figueiredo 


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