domingo, 29 de dezembro de 2019

Coragem - Padre Fábio de Melo





Tens o dom de ver estradas
Onde eu vejo o fim
Me convences quando falas
Não é bem assim
Se me esqueço, me recordas
Se não sei, me ensinas
E se perco a direcção
Vens me encontrar

Tens o dom de ouvir segredos
Mesmo se me calo
E se falo me escutas
Queres compreender
Se pela força da distância
Tu te ausentas
Pelo poder que há na saudade
Voltarás

Quando a solidão doeu em mim
Quando meu passado não passou por mim
Quando eu não soube compreender a vida
Tu vieste compreender por mim

Quando os meus olhos não podiam ver
Tua mão segura me ajudou a andar
Quando eu não tinha mais amor no peito
Teu amor me ajudou a amar

Quando o meu sonho vi desmoronar
Me trouxeste outros pra recomeçar
Quando me esqueci que era alguém na vida
Teu amor veio me relembrar

Que Deus me ama, que não estou só
Que Deus cuida de mim
Quando fala pela tua voz
Que me diz: Coragem

Que Deus me ama, que não estou só
Que Deus cuida de mim
Quando fala pela tua voz

Que me diz: Coragem

Padre Fábio de Melo

 

sábado, 21 de dezembro de 2019

Natal - Poema de Fernando Pessoa




Natal... Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade !
Meu pensamento é profundo,
Estou só e sonho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei !



Fernando Pessoa

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

O Sino






Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.

E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas perto,
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho,
Soas-me na alma distante.

A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.


Fernando Pessoa


domingo, 1 de dezembro de 2019

Miraculosa Rainha dos Céus




Nossa Senhora Mãe de Jesus,
Dá-nos a graça da Tua luz.
Virgem Maria, divina flor,
Dá-nos a graça do Teu amor.

Miraculosa, Rainha do céu,  
Sob o Teu manto tecido de luz.
Faz com que a guerra se acabe na terra,
Haja entre os homens a paz de Jesus.

Se em Teu regaço Bendita Mãe,
Toda a amargura remédio tem.
As nossas almas pedem que vás,
Junto da guerra fazer a paz.

Pelas crianças flores em botão,
Pelos velhinhos sem lar nem pão,
Pelos soldados qu´a guerra vão,
Senhora escuta nossa oração.


Cântico Religioso




sábado, 23 de novembro de 2019

Maria das Quimeras - Poema de Florbela Espanca





Maria das Quimeras me chamou
Alguém.. Pelos castelos que eu ergui
P'las flores d'oiro e azul que a sol teci
Numa tela de sonho que estalou.

Maria das Quimeras me ficou;
Com elas na minh'alma adormeci.
Mas, quando despertei, nem uma vi
Que da minh'alma, Alguém, tudo levou!

Maria das Quimeras, que fim deste
Às flores d'oiro e azul que a sol bordaste,
Aos sonhos tresloucados que fizeste?

Pelo mundo, na vida, o que é que esperas?...
Aonde estão os beijos que sonhaste,
Maria das Quimeras, sem quimeras?...


Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade" 

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

A Pedra




Deus fez a pedra rude, a pedra forte,
e depois destinou: -Serás eterna.
Mostrarás a altivez de quem governa,
Não ousará tocar-te a própria morte.

E a pedra julgou linda a sua sorte.
Foi palácio, foi templo, foi caverna,
foi estátua, foi muralha, foi cisterna,
viveu sem coração, sem fé, sem norte.

Mas viu morrer o infante, o monge, a fera,
o herói, o artista, a flor, a fonte, a hera,
e humildemente quis também morrer.

Não grita, não se queixa, não murmura,
guarda a mesma aparência hostil e dura
mas sofre o mal de não poder sofrer.


Maria Fernanda Teles de Castro e Quadros Ferro





domingo, 3 de novembro de 2019

Madrugada no Campo - Poema de Cecília Meireles




Com que doçura esta brisa penteia
a verde seda fina do arrozal
Nem cílios, nem pluma, nem lume de lânguida
lua, nem o suspiro do cristal.

Com que doçura a transparente aurora
tece na fina seda do arrozal
aéreos desenhos de orvalho! Nem lágrima,
nem pérola, nem íris de cristal...

Com que doçura as borboletas brancas
prendem os fios verdes do arrozal
com seus leves laços! Nem dedos, nem pétalas,
nem frio aroma de anis em cristal.

Com que doçura o pássaro imprevisto
de longe tomba no verde arrozal!
Caído céu, flor azul, estrela última:
súbito sussurro e eco de cristal.


Cecília Meireles 

sábado, 26 de outubro de 2019

Paz - Poema de Natália Correia




Irreprimível natureza
exacta medida do sem-fim
não atinjas outras distâncias
que existem dentro de mim.

Que os meus outros rostos não sejam
o instável pretexto da minha essência.
Possam meus rios confluir
para o mar duma só consciência.

Quero que suba à minha fronte
a serenidade desta condição:
harmonia exterior à estátua
que sabe que não tem coração.


Natália Correia, in "Poemas (1955)"


quinta-feira, 17 de outubro de 2019

A Voz de DEUS - Florbela Espanca






Ó rosas que baixais as castas fontes
Quando, à tarde, vos beija o sol poente,
Dizei-me que murmúrios vos segreda
O sol que vos beija docemente?…

Ó luar cristalino e abençoado
Por que entristeces tu em noites belas
Quando chora baixinho o rouxinol
Um choro só ouvido p´las estrelas?…

Mistério das coisas! Em tudo existe
Um coração que sente e que palpita
Desde o sol rubro até à urze triste!

Ó mistério das coisas! Voz de Deus
Em tudo eternamente sê bendita
Na terra imensa assim como nos céus!


Florbela Espanca


segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Sonho, vigília, noite, madrugada



Sonho, vigília, noite, madrugada?
Um a um, desfolhei os sete véus,
e adormecido o corpo, a alma acordada,
um a um, escalei os sete céus.

Sem limites de tempo nem espaço,
quanto tempo durou minha viagem?
Andei mundos sem dor e sem cansaço,
ficou, em meu lugar, a minha imagem.

Agora, de regresso, cumpro a pena.
Tudo esqueci dessa abismal distância
mas algo é diferente: volto à arena
com uma nova inocência, um gosto a infância.

Serena, com uma paz desconhecida,
aceito, sem revolta, a humana sorte:
viver, da Vida, esta pequena vida,
morrer, da Morte, esta pequena morte.


Maria Fernanda Teles de Castro





terça-feira, 24 de setembro de 2019

Mar sonoro - Poema de Sophia de Mello Breyner





Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho.
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.



Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Evocação - Poema de Olympiades Guimarães Corrêa




Quando nasce a manhã cheia de graça
E a beleza da mata se irradia
Com o cantar da passarada
Surgem ténues raios de luz.
E o sol, ao longe, desponta.
É a alvorada que surge,
O doce e alegre amanhecer!


Olympiades Guimarães Corrêa
Em Neblina do Tempo


quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Silêncio, nostalgia... Poema de Maria Fernanda de Castro



Silêncio, nostalgia...
Hora morta, desfolhada,
sem dor, sem alegria,
pelo tempo abandonada.

Luz de Outono, fria, fria...
Hora inútil e sombria
de abandono.
Não sei se é tédio, sono,
silêncio ou nostalgia.

Interminável dia
de indizíveis cansaços,
de funda melancolia.
Sem rumo para os meus passos,
para que servem meus braços,
nesta hora fria, fria?
 

Maria Fernanda Telles de Castro e Quadros



quarta-feira, 31 de julho de 2019

Renúncia - Poema de Florbela Espanca



A minha mocidade há muito pus
No tranquilo convento da tristeza;
Lá passa dias, noites, sempre presa,
Olhos fechados, magras mãos em cruz...

Lá fora, a Noite, Satanás, seduz!
Desdobra-se em requintes de Beleza...
E como um beijo ardente a Natureza...
A minha cela é como um rio de luz...

Fecha os teus olhos bem! Não vejas nada!
Empalidece mais! E, resignada,
Prende os teus braços a uma cruz maior!

Gela ainda a mortalha que te encerra!
Enche a boca de cinzas e de terra
Ó minha mocidade toda em flor!


Florbela Espanca


domingo, 21 de julho de 2019

Distância - Poema de Maria Fernanda de Castro




Não vás para tão longe!
Vem sentar-te
Aqui na chaise-longue, ao pé de mim...
Tenho o desejo doido de contar-te
Estas saudades que não tinham fim.

Não vás para tão longe;
Quero ver
Se ainda sabes olhar-me como d'antes,
E se nas tuas mãos acariciantes,
Inda existe o perfume de que eu gosto.

Não vás para tão longe!
Tenho medo
Do silêncio pesado d'esta sala...
Como soluça o vento no arvoredo!
E a tua voz, amor, como se cala!

Não vás para tão longe!
Antigamente,
Era sempre demais o curto espaço
Que havia entre nós dois...
Agora, um embaraço,
Hesitas e depois,
Com um gesto de tédio e de cansaço,
Achas inconveniente
O meu abraço.

Não vás para tão longe!
Fica. Inda é tão cedo!
O vento continua a fustigar
Os ramos sofredores do arvoredo,
E eu ponho-me a pensar
E tenho medo!

Não vás para tão longe!
Na sombra impenetrada,
Como se agita e se debate o vento!...
Paira nas velhas ruínas do convento

Que além se avista,
A alma melancólica d'um monge
Que a vida arremessou àquela crista...

Céu apagado, negro, pessimista,
E tu sempre mais longe!...
 

Maria Fernanda Telles de Castro e Quadros



domingo, 14 de julho de 2019

Anoitecer - Poema de Florbela Espanca





A luz desmaia num fulgor d'aurora,
Diz-nos adeus religiosamente...
E eu, que não creio em nada, sou mais crente
Do que em menina, um dia, o fui... outrora...

Não sei o que em mim ri, o que em mim chora
Tenho bênçãos d'amor pra toda a gente!
Como eu sou pequenina e tão dolente
No amargo infinito desta hora!

Horas tristes que são o meu rosário...
Ó minha cruz de tão pesado lenho!
Meu áspero e intérmino Calvário!

E a esta hora tudo em mim revive:
Saudades de saudades que não tenho...
Sonhos que são os sonhos dos que eu tive...


Florbela Espanca

 

sábado, 6 de julho de 2019

Leve, Leve, o Luar - Afonso Lopes Vieira





Leve, leve, o luar de neve
goteja em perlas leitosas,
o luar de neve e tão leve
que ameiga o seio das rosas.

E as gotas finas da etérea
chuva, caindo do ar,
matam a sede sidéria
das coisas que embebe o luar.

A luz, oh sol, com que alagas,
abre feridas, e a lua
vem pôr no lume das chagas
o beijo da pele nua.


Afonso Lopes Vieira, in 'País Lilás, Desterro Azul'

terça-feira, 2 de julho de 2019

Perdão - Poema de Fernanda de Castro

Aqui me tens, meu Deus, em confissão.
Não roubei. Não matei. Não caluniei.
Mas nem sempre segui a tua lei,
nem sempre fui a irmã do meu irmão.
Não recusei aos outros o meu pão.
Amor, algumas vezes, recusei.
Mas por tudo o que dei e o que não dei,
eu te peço, meu Deus, o meu perdão.
Perdão para os meus pecados conscientes
e para os meus pecados inocentes,
para o mal que já fiz e ainda fizer ...
Perdão para esta culpa original,
para este longo e complicado mal:
o crime sem perdão de ser mulher.


 
Maria Fernanda Telles de Castro e Quadros
Blog: Fernanda de Castro




sexta-feira, 14 de junho de 2019

Todo o Dia existe Deus




Um dia me perguntaram se eu acredito
em Deus...
... eu então lhes respondi da maneira
como eu pensava.

Todo dia existe Deus...

... num sorriso de criança,
no canto do passarinhos,
num olhar, numa esperança.

Todo dia existe Deus...

... na harmonia das cores,
na natureza esquecida,
na fresca aragem da brisa,
na própria essência da vida.

Todo dia existe Deus...

... no regato cristalino,
no pequeno servo do mar,
nas ondas lavando as praias,
na clara luz do luar.

Todo dia existe Deus...

... na escuridão do infinito todo
ponteado de estrelas,
na amplidão do universo,
no simples prazer de vê-las.

Todo dia existe Deus...

...nos segredos desta vida,
no germinar da semente,
nos movimentos da Terra
que gira incessantemente.

Todo dia existe Deus...

...no orvalho sobre a relva,
na natureza que encanta,
no cheiro que vem da terra e
no sol que se levanta.




Todo dia existe Deus...

... nas flores que desabrocham
perfumando a atmosfera,
nas folhas novas que brotam
anunciando a primavera.

Deus é capaz, Deus é paz, Deus é
esperança. É o alento do aflito, o
Criador do Universo, da luz, do ar,
da aliança. Deus é a justiça perfeita
que emana do coração. Ao perdoar
quem ofende, Ele é o próprio perdão.

Será que você ainda não viu o rosto
de Deus no colorido mais belo dos
olhos dos filhos seus?
Deus é constante e perene. É divino!
De tal sorte que sendo essência da
vida é o descanso na morte...
Não há vida sem volta e não há volta
sem vida... A morte não é morte, é só
a porta da vida.


Todo dia existe Deus...

...no ciclo da natureza, neste ir e vir
constante, no broto que se renova,
na vida que segue adiante, em quem
semeia bondade e em quem ajuda o
irmão, colhendo felicidade cumprindo
sua missão.

Todo dia existe Deus...

... no suor de quem trabalha,
no calo duro das mãos,
no homem que planta trigo,
no trigo que faz o pão.
Você pode sentir Deus pulsar... dentro
do seu coração!!!
Fiquem com Deus!!! Todos os meus
amigos e também aqueles que não
desejam ser.


Rita Pando.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Música - Poema de Cecília Meireles



Noite perdida,
não te lamento:
embarco a vida

no pensamento,
busco a alvorada
do sonho isento,

puro e sem nada,
- rosa encarnada,
intacta, ao vento.

Noite perdida,
noite encontrada,
morta, vivida,

e ressuscitada...
Asa da lua
quase parada,

mostra-me a sua
sombra escondida,
que continua

a minha vida
num chão profundo!
- raiz prendida

a um outro mundo.

 Rosa encarnada
do sonho isento,

muda alvorada
que o pensamento
deixa confiada

ao tempo lento...
Minha partida,
minha chegada,

é tudo vento...

Ai da alvorada!
Noite perdida,
noite encontrada...

Cecília Meireles
 
 

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Maria de Nazaré - Cântico religioso




Maria de Nazaré, Maria me cativou
Fez mais forte a minha fé
E por filho me adotou
As vezes eu paro e fico a pensar
E sem perceber, me vejo a rezar
E meu coração se põe a cantar

Pra Vigem de Nazaré
Menina que Deus amou e escolheu
Pra mãe de Jesus, o Filho de Deus
Maria que o povo inteiro elegeu
Senhora e Mãe do Céu

Ave - Maria, Mãe de Jesus!

Maria que eu quero bem, Maria do puro amor
Igual a você, ninguém
Mãe pura do meu Senhor
Em cada mulher que a terra criou
Um traço de Deus Maria deixou
Um sonho de Mãe Maria plantou

Pro mundo encontrar a paz
Maria que fez o Cristo falar
Maria que fez Jesus caminhar
Maria que só viveu pra seu Deus
Maria do povo meu

Composição: Padre Zézinho




domingo, 12 de maio de 2019

Não Sei Quantas Almas Tenho - Fernando Pessoa



Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que só gue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.


Fernando Pessoa



domingo, 5 de maio de 2019

Traze-me - Poema de Cecília Meireles



Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
-Vê que nem te digo - esperança!
-Vê que nem sequer sonho - amor!

Cecília Meireles 


quinta-feira, 4 de abril de 2019

Nocturno - Poema de Maria Fernanda Teles de Castro





Devagar, devagar... A noite dorme
e é preciso acordar sem sobressalto.
Sob um manto de sombra, denso, informe,
o mar adormeceu a sonhar alto.

Devagar, devagar... O rio dorme
sobre um leito de areias e basalto...
Malhada pela neve a serra enorme
parece um tigre a preparar o salto.

E dorme o vale em flor. Dormem as casas.
Nenhum rumor. Nenhum frémito de asas.
Nada perturba a noite bela e calma.

E dormem os rosais, dormem os cravos...
Dormem abelhas sobre o mel dos favos
e dorme, na minha alma, a tua alma.


Fernanda de Castro



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