segunda-feira, novembro 18, 2019

A Pedra




Deus fez a pedra rude, a pedra forte,
e depois destinou: -Serás eterna.
Mostrarás a altivez de quem governa,
Não ousará tocar-te a própria morte.

E a pedra julgou linda a sua sorte.
Foi palácio, foi templo, foi caverna,
foi estátua, foi muralha, foi cisterna,
viveu sem coração, sem fé, sem norte.

Mas viu morrer o infante, o monge, a fera,
o herói, o artista, a flor, a fonte, a hera,
e humildemente quis também morrer.

Não grita, não se queixa, não murmura,
guarda a mesma aparência hostil e dura
mas sofre o mal de não poder sofrer.


Maria Fernanda Teles de Castro e Quadros Ferro






6 comentários:

  1. Lindo poema, Maria, fui saber mais sobre a poeta que faleceu aos 94 anos, em Lisboa.
    Gostei muito! Obrigada pela partilha!
    Beijo, uma ótima semana.

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  2. Boa noite de paz, querida amiga Maria!
    Querer ser imortal é o sonho dos huamnos e até as pedras são passíveis do desejo de desaparecerem.
    Muito bonito o texto e a ilustração bela.
    Tenha dias felizes e abençoados!
    Bjm carinhoso e fraterno de paz e bem

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  3. Uma escolha soberba! A imagem é qualquer coisa!

    Beijos. Boa noite!

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  4. Maria , que poema interessante e belo .
    Agradeço a partilha .
    Beijos

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  5. Boa noite:- Poema deslumbrante. Se calhar é para fazer "graxa" às pedras que muita gente as atira contra policiais, janelas, monumentos, loool
    .
    …………… Poema ……………
    ^^^ Impuros Desejos ^^^
    .
    Deixando um abraço.

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  6. Poetisa Maria Rodrigues!

    Voltei para lê-la mais uma vez!É muito verdadeira!Parabéns!

    Isaias
    www.rabiscoliteratura.com.br

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