sábado, dezembro 29, 2018

Uma Fonte, Uma Asa





Os anos passam… Já vai sendo tempo
De pensar na Viagem.
Irei bem ou enganei-me? Este caminho
É verdade ou miragem?

Procuro em vão sinais. Em vão persigo
As horas silenciosas.
De olhos abertos, cega, vou andando
Sobre espinhos e rosas.

Errada ou certa é longa a caminhada,
Longo o deserto em brasa.
Ah, não fora, Senhor, esta esperança
De uma fonte, uma asa!

Fonte, Senhor, que mate a longa sede
Desta longa subida.
Asa que ampare o derradeiro passo
No limite da vida.

Ah, Senhor, que mesquinhas as palavras!
Vida ou morte, que importa?
Para entrar e sair a porta é a mesma:
Senhor, abre-me a porta!


Fernanda de Castro

sábado, dezembro 22, 2018

Nossa Senhora do Sim





Nossa Senhora do sim,
Maravilha, Virgem Mãe,
Cuida Maria de mim,
E que eu diga sim também.

Chamou o anjo de Deus,
Maria, não tenhas medo,
Serás Mãe do filho eterno.
Eis revelado o segredo!

Eis a serva do Senhor,
Foi a resposta que deu.
Cumpriu-se então a promessa,
E o Evangelho nasceu.

Nossa Senhora do sim,
Maravilha, Virgem Mãe,
Cuida Maria de mim,
E que eu diga sim também.

Com Ela a Igreja toda,
Responde que sim a Deus,
E com Maria proclama,
Nova terra e novos Céus.

Hoje é o dia do Senhor,
Hoje é o dia de alegria.
Que vivemos em amor,
Sempre contigo Maria.

Nossa Senhora do sim,
Maravilha, Virgem Mãe,
Cuida Maria de mim,
E que eu diga sim também.


Cântico religioso


domingo, dezembro 16, 2018

O Povo de Deus



O povo de Deus no deserto andava,
Mas à sua frente alguém caminhava
O povo de Deus era rico de nada,
Só tinha a esperança e o pó da estrada.

Também sou Teu povo, Senhor,
E estou nesta estrada,
Somente a tua graça,
Me basta e mais nada.

O povo de Deus também vacilava,
Às vezes custava a crer no amor
O povo de Deus, chorando rezava,
Pedia perdão e recomeçava

Também sou Teu povo, Senhor,
E estou nesta estrada,
Perdoa se às vezes,
Não creio em mais nada.

O povo de Deus também teve fome,
E Tu lhe mandaste o pão lá do céu!
O povo de Deus, cantando deu graças,
Provou teu amor, o amor que não passa.

Também sou Teu povo, Senhor,
E estou nesta estrada,
Tu és alimento
Na longa jornada.

O povo de Deus ao longo avistou
A terra querida, que o amor preparou!
O povo de Deus sorria e cantava,
E nos seus louvores, seu amor proclamava.

Também sou Teu povo, Senhor,
E estou nesta estrada,
Cada dia mais perto
Da terra esperada.

Cântico Religioso
(Autor: Padre Zézinho)


sábado, dezembro 08, 2018

Plantar uma Floresta - Poesia de Luísa Ducla Soares




Plantar uma Floresta



Quem planta uma floresta
Planta uma festa.

Planta a música e os ninhos,
Faz saltar os coelhinhos.

Planta o verde vertical,
Verte o verde,
Vário verde vegetal.

Planta o perfume
Das seivas e flores,
Solta borboletas de todas as cores.

Planta abelhas, planta pinhões
E os piqueniques das excursões.

Planta a cama mais a mesa.
Planta o calor da lareira acesa.
Planta a folha de papel,
A girafa do carrocel.

Planta barcos para navegar,
E a floresta flutua no mar.
Planta carroças para rodar,
Muito a floresta vai transportar.
Planta bancos de avenida,
Descansa a floresta de tanta corrida.

Planta um pião
Na mão de uma criança:
A floresta ri, rodopia e avança.


Luísa Ducla Soares
A gata Tareca e Outros Poemas Levados da Breca









 

Estrela Polar




Esta sede de Te encontrar em mim
De correr p’ra Ti, de estar junto de ti.
Guias pelos vales o decurso do meu rio
Única razão és Tu, único sustento Tu
A minha vida existe porque existes Tu.

Tudo gira à Tua volta, em função de Ti
Não importa quando, onde e o porquê.

Gira o firmamento sem nunca ter paz
Mas existe um ponto a brilhar p’ra mim
A estrela polar que fixa os meus passos.
A estrela polar és Tu, a estrela segura Tu,
A minha vida existe porque existes Tu.

Brilha a Tua luz no centro do meu ser
Dás sentido à vida que em mim nasceu
Tudo o que farei será somente amor
Único sustento és Tu, a estrela polar Tu,
A minha vida existe porque existes Tu.


Cântico Religioso


terça-feira, dezembro 04, 2018

Lembrança





Fui Essa que nas ruas esmolou
E fui a que habitou Paços Reais;
No mármore de curvas ogivais
Fui Essa que as mãos pálidas poisou...

Tanto poeta em versos me cantou!
Fiei o linho à porta dos casais...
Fui descobrir a Índia e nunca mais
Voltei! Fui essa nau que não voltou...

Tenho o perfil moreno, lusitano,
E os olhos verdes, cor do verde Oceano,
Sereia que nasceu de navegantes...

Tudo em cinzentas brumas se dilui...
Ah, quem me dera ser Essas que eu fui,
As que me lembro de ter sido... dantes!...


Florbela Espanca


domingo, dezembro 02, 2018

A Dança





A menina dança sozinha
por um momento.

A menina dança sozinha
com o vento, com o ar, com
o sonho de olhos imensos...

A forma grácil de suas pernas
ele é que as plasma, o seu par
de ar
de vento,
o seu par fantasma...

Menina de olhos imensos,
tu, agora, paras,
mas a mão ainda erguida

segura ainda no ar
o hastil invisível
deste poema!


Mário Quintana


 
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