segunda-feira, 22 de junho de 2020

Ao longe os Barcos de Flores - Camilo Pessanha




(A Ovídio de Alpoim)

Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila,
- Perdida voz que de entre as mais se exila,
- Festões de som dissimulando a hora

Na orgia, ao longe, que em clarões cintila
E os lábios, branca, do carmim desflora...
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila.

E a orquestra? E os beijos? Tudo a noite, fora,
Cauta, detém. Só modulada trila
A flauta flébil... Quem há-de remi-la?
Quem sabe a dor que sem razão deplora?

Só, incessante, um som de flauta chora...



Camilo Pessanha





domingo, 14 de junho de 2020

Rio - Poema de Jorge Guillén




Como vai serena a água!
Unifica silêncios.
À deriva, espadas
de cristal afiam, lenta
espera, seus gumes...
O mar precisa delas.
Porém, uma frescura errante
dispersa vozes apaixonadas
por todo o rio.
Elas pedem, juram, recitam.
Pulsação da correnteza!
Como bate! Delira!
Sob as águas singram
céus íntimos.
A corola do ar profundo
ilumina-se.
As vozes seguem ainda
mais apaixonadas. Vão ansiosas.
Eu queria, eu queria...
Todo o rio suspira.


Jorge Guillén





sexta-feira, 5 de junho de 2020

Caminho para a Vida





Caminho para a vida

Há nascer, há crescer e há morrer
E em cada chegada uma partida
Mas importa que em cada acontecer
Haja sempre um caminho para a vida.

Na tua Luz encontramos a verdade
És o dom do Pai a mão estendida
És Jesus, a plena liberdade
O caminho, a verdade e a vida.

Há o olhar sereno de quem ama
Há a fé das entregas decididas
Há em tudo afinal uma só esperança
De trilhar o caminho para a vida!

Somos jovens do hoje e do amanhã
Testemunhas do Mundo em mudança
Levamos Jesus no coração
E nas mãos a bandeira da esperança.


Cântico Religioso
(Autores: D. Manuel Clemente, Miguel Tapadas)


Topo