segunda-feira, fevereiro 24, 2020

Saudades não as Quero - Poema de Afonso Lopes Vieira




Bateram fui abrir era a saudade
vinha para falar-me a teu respeito
entrou com um sorriso de maldade
depois sentou-se à beira do meu leito
e quis que eu lhe contasse só a metade
das dores que trago dentro do meu peito

Não mandes mais esta saudade
ouve os meus ais por caridade
ou eu então deixo esfriar esta paixão
amor podes mandar se for sincero
saudades isso não pois não as quero

Bateram novamente era o ciúme
e eu mal me apercebi de que batera
trazia o mesmo ódio do costume
e todas as intrigas que lhe deram
e vinha sem um pranto ou um queixume
saber o que as saudades me fizeram

Não mandes mais esta saudade,
ouve os meus ais por caridade,
ou eu então deixo esfriar esta paixão,
amor podes mandar se for sincero,
saudades isso não pois não as quero.


Afonso Lopes Vieira, in 'Antologia Poética'


 

sábado, fevereiro 15, 2020

A Miragem no Caminho - Poema de Helena Kolody




Perdeu-se em nada,
caminhou sozinho,
a perseguir um grande sonho louco.


(E a felicidade
era aquele pouco
que desprezou ao longo do caminho).




Helena Kolody
In: Poemas do Amor Impossível




sábado, fevereiro 08, 2020

Meu Barco - Poema de Alvina Tzovenos




Ele sempre chega,
quando meus sonhos canções
florescem verões.


Sempre parte,
quando lágrimas estrelas
escurecem meu poente.


Meu barco hoje,
só quero-o em brinquedo,
namorando em minhas águas. . .
. . . não quero vê-lo navegar!
. . . ilusões p’ra longe levar?
e talvez,
nunca mais voltar?


Alvina Tzovenos
In: Buscas de Infinitos


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