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22/06/2020

8 Ao longe os Barcos de Flores - Camilo Pessanha




(A Ovídio de Alpoim)

Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila,
- Perdida voz que de entre as mais se exila,
- Festões de som dissimulando a hora

Na orgia, ao longe, que em clarões cintila
E os lábios, branca, do carmim desflora...
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila.

E a orquestra? E os beijos? Tudo a noite, fora,
Cauta, detém. Só modulada trila
A flauta flébil... Quem há-de remi-la?
Quem sabe a dor que sem razão deplora?

Só, incessante, um som de flauta chora...



Camilo Pessanha





18/01/2018

0 Violoncelo - Poema de Camilo Pessanha





Chorai arcadas
Do violoncelo!
Convulsionadas,
Pontes aladas
De pesadelo...

De que esvoaçam,
Brancos, os arcos...
Por baixo passam,
Se despedaçam,
No rio, os barcos. 

Fundas, soluçam
Caudais de choro...
Que ruínas, (ouçam)!
Se se debruçam,
Que sorvedouro!...

Trêmulos astros,
Soidões lacustres...
_ Lemes e mastros...
E os alabastros
Dos balaústres!

Urnas quebradas!
Blocos de gelo...
_ Chorai arcadas,
Despedaçadas,
Do violoncelo.


Camilo Pessanha



0 Floriram por engano as rosas brancas - Poema de Camilo Pessanha





Floriram por engano as rosas bravas
No Inverno; veio o vento desfolhá-las ...
Em que cismas, meu bem ? Porque me calas
As vozes com que há pouco me enganavas?

Castelos doidos! Tão cedo caíste!...
Onde vamos, alheio pensamento,
De mãos dadas? Teus olhos, que num momento
Prescrutaram nos meus, como vão tristes!

E sobre nós cai nupcial a neve,
Surda, em triunfo, pétalas, de leve
Juncando o chão, na acrópole de gelos...

Em redor do teu vulto é como um véu!
Quem as esparze - quanta flor - do céu,
Sobre nós dois, sobre os nossos cabelos?



Camilo Pessanha


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