quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

O Sino






Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.

E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas perto,
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho,
Soas-me na alma distante.

A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.


Fernando Pessoa


5 comentários:

  1. Adoro Fernando Pessoa!
    Obrigada pela partilha deste belíssimo poema.
    Beijinhos

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  2. Maria uma lembrança linda que carrego comigo, são os badalos dos sinos da catedral onde ia as missas aos domingo e da igrejinha de minha vila, quando soavam na hora da Ave Maria e assim ler Pessoa nestes sinos, é reviver minha infância com saudades, mas com alegria.
    Grato pela linda partilha poética.
    Beijo

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