quarta-feira, janeiro 24, 2018

Luar - Poema de Victor Hugo





Serena paira a lua e nas ondas rebrilha.
Livre a janela, enfim, aberta para a brisa,
A sultana olha, além, e o mar que se repisa,
Com um fluxo de prata adorna as negras ilhas.

Vibrando, de seus dedos, escapa a guitarra.
Ela ouve… Um surdo som golpeia os surdos ecos.
Uma grande nau turca a vir de águas de Cos
A agitar o arquipélago com remos tártaros?

Os alcatrazes, um a um, a mergulhar
Cotando a água que rola em pérolas sobre as asas?
Será um djim que lá do alto assovia em voz rasa
E lança ameias lá da torre para o mar?

Quem pois resolve as vagas lá perto do harém?
Nem o negro alcatraz sobre o fluxo embalado,
Nem as pedras do muro ou o rumo ritmado
Da grande nau pela onda e remos em vaivém.

São alforjes de peso; e dos prantos a trilha.
Ver-se-ia ao sondar o mar que os engalana,
Moverem-se em seus flancos tal qual forma humana…
Serena paira a lua e nas ondas rebrilha.


Victor Hugo

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