domingo, janeiro 21, 2018

A uma Rosa - Poema de Frei Jerónimo Baía






Como tens tão pouca vida?
Quem tão depressa te mata?
Flor do mais ilustre sangue,
Que deu de Vénus a planta?
Uma Aurora só que vives,
Flores te chamam Monarca:
Na mesma terra do império,
Que foi berço, tens a campa.
Lástima da tarde chamam
A ti doce mimo da alva,
Gentil pérola nascida
Entre concha de esmeralda.
Águia nos voos florentes
Estendes ao Sol as asas,
Mas quando os raios lhe logras,
Fénix em raios te abraças.

Em quanto em verde clausura
Te fecha o botão as galas,
Para os logros, que desejas,
Te dão vida as esperanças.
Mas quando a púrpura bela
Te serve já de mortalha,
Sentido o Sol chora raios,
Buscando a morte nas águas.
De formosura tão rica
Não sei quem foi o pirata
Tão atrevido, que rouba
A joia da madrugada.


Frei Jerónimo Baía, in 'Antologia Poética'




1 comentário:

  1. Não conhecia o poeta, obrigado pela partilha.
    Paulo

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