17/04/2026

O caçador de borboletas - Álvaro Magalhães





Sorridente, ao nascer do dia,
ele sai de casa com a sua rede.
Vai caçar borboletas, mas fica preso
à frescura do rio que lhe mata a sede
ou ao encanto das flores do prado.
Vê tanta beleza à sua volta
que esquece a rede em qualquer lado
e antes de caçar já foi caçado.

À noite, regressa a casa cansado
e estranhamente feliz
porque a sua caixa está vazia,
mas diz sempre, suspirando:
Que grande caçada e que belo dia!

Antes de entrar, limpa as botas
num tapete de compridos pêlos
e sacode, distraído,
as muitas borboletas de mil cores
que lhe pousaram nos ombros, nos cabelos.


Álvaro Magalhães,
in "O reino perdido", 2000




4 comentários:

  1. Querida Maria,
    A natureza tem tanta beleza que não precisamos caçar borboletas para sentir esse prazer, só admirar as suas maravilhas e deixar a natureza nos invadir com o seu encanto.
    Um grande abraço!

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  2. Que bonita historia narrada en versos. La naturaleza y sus habitantes saben como hacernos felices. Un abrazo, María.

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  3. Belo, Maria. Álvaro Magalhães mostrando um edifício de beleza e encanto.
    Perfeito.



    Beijo,
    SOL da Esteva

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  4. Não é fácil escrever para crianças...
    O poema é belo e edificante.
    Beijinho
    ~~~

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