09/04/2026

Palavras - Olavo Bilac





As palavras do amor expiram como os versos,
Com que adoço a amargura e embalo o pensamento:
Vagos clarões, vapor de perfumes dispersos,
Vidas que não têm vida, existências que invento;

Esplendor cedo morto, ânsia breve, universos
De pó, que um sopro espalha ao torvelim do vento,
Raios de sol, no oceano entre as águas imersos,
- As palavras da fé vivem num só momento...

Mas as palavras más, as do ódio e do despeito,
O "não!" que desengana, o "nunca!" que alucina,
E as do aleive, em balões, e as da mofa, em risadas,

Abrasam-nos o ouvido e entram-nos pelo peito:
Ficam no coração, numa inércia assassina,
Imóveis e imortais, como pedras geladas.


Olavo Bilac
In Literatura Comentada



7 comentários:

  1. Que dizer?!...

    Este soneto de alexandrinos é uma obra magnífica!...
    De um insigne mestre da Língua Portuguesa!
    Agradeço a oportunidade de reler.
    Abraço
    ~~~

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  2. Excelente escolha, Maria.
    É excelente este Soneto de Olavo Bilac. É de palavras que se alimenta a Poesia.
    Obrigado por no-lo trazeres a destaque.



    Beijo,
    SOL da Esteva

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  3. Una obra tremenda. Me encantó! Un abrazo, Maria

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  4. Las palabras de amor siempre serán un bálsamo para nuestras vidas, y nos servirán de consuelo, en cambio las palabras de odio envenenan el alma, estimada María. Gracias por compartir este bello poema. Un abrazo.

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  5. Uma reflexão poderosa sobre a força e a permanência do que dizemos. Seus versos contrastam com maestria a fragilidade do amor com a dureza eterna das palavras que ferem.
    ​É uma lição de sensibilidade e técnica, onde cada estrofe nos faz sentir o peso do silêncio e do som. Parabéns por compartilhar essa joia de Bilac, um fraterno abraço!

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  6. Hola María. Buenos días.
    Las palabras de amor en cada amanecer se necesitan cada vez más. El poema es muy especial y hermoso con tanto amor.
    Feliz miércoles.
    Un abrazo.
    Mónica.

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