15/09/2026

À minha musa - Teixeira de Pascoaes


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Senhora da manhã vitoriosa
E também do crepúsculo vencido.
Ó senhora da noite misteriosa,
Por quem ando, nas trevas, confundido.

Perfil de luz! Imagem religiosa!
Ó dor e amor! Ó sol e luar dorido!
Corpo, que é alma escrava e dolorosa,
Alma, que é corpo livre e redimido.

Mulher perfeita em sonho e realidade.
Aparição Divina da Saudade...
Ó Eva, toda em flor e deslumbrada!

Casamento da lágrima e do riso;
O céu e a terra, o inferno e o paraíso,
Beijo rezado e oração beijada.


Teixeira de Pascoaes





2 comentários:

  1. A minha musa, sob a profunda sensibilidade do escritor português Teixeira de Pascoaes, deixa de ser uma simples figura de inspiração romântica para se tornar a própria encarnação do saudosismo e das dualidades da existência. No seu célebre poema, ela é definida simultaneamente como a «senhora da manhã vitoriosa» e do «crepúsculo vencido», um perfil de luz aprisionado nas trevas da melancolia. Não é um ser inteiramente terreno nem puramente divino, mas sim uma aparição mística nascida do «casamento da lágrima e do riso», o espaço exato onde o céu e a terra se confundem. Através destes versos, Pascoaes demonstra-nos que a criação poética não nasce da certeza, mas sim da dor transmutada em beleza, consagrando a sua musa como a ponte eterna entre a realidade dolente do corpo e a absoluta liberdade da alma.
    Beijos mágicos desde EL POTRO LADO DE LA LUNA, transportando-nos para o centro daquele universo mental onde o tempo deixa de existir.

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  2. Maria, unfortunately, I don't know any Portuguese poets or writers at all.

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