quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Chove à Silêncio - Poema Fernando Pessoa





Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...

Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...

Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...

Fernando Pessoa


4 comentários:

  1. Boa noite de muita paz, querida amiga Maria!
    "Quando a alma é viúva
    Do que não sabe"
    Que coisa mais linda esses versos!
    Sempre com belas escolhas.
    Tenha uma noite muito feliz, amiga!
    Bjm carinhoso e fraterno de paz e bem

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  2. Boa noite!
    Um poema muito bem escolhido. Amei! Obrigada :)
    -
    Saudade/ Memórias - Parte 1
    Beijo e um excelente fim de semana!

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  3. Achei este conteúdo interessante e compartilhei em meu facebook.
    Bismaxon gravacoes

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  4. Boa tarde Maria,
    Lindos poemas.
    Amo poesias.
    Beijos.
    Estou te seguindo no Pinterest. Gostaria que me seguisse.

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