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Árvores maternais,
À luz do sol, em dias estivais,
O rústico mendigo,
Junto de vós, encontra abençoado abrigo…
Deita-se, a descansar
Do seu pesado e eterno caminhar.
Sob os ramos em flor,
Que dão à sua mágoa alívio, aroma e cor.
Porque a humana tristeza.
Perante a Natureza,
Embebe-se de azul, de cantos de ave
E se afasta de nós mais pálida e suave.
Ó árvores piedosas.
Pelas manhãs formosas.
Quando etéreo fulgor, que se anuncia.
Vossas lágrimas muda em risos de alegria!
Bendito o vosso corpo imaculado,
A arder, num lar sagrado.
Bendito o vosso fruto e flor, que vem dos céus.
Minhas irmãs em Deus.
Que simpatia imensa
Me prende à sua angélica presença,
Onde, em cristais, retine a voz do rouxinol
E, em tinta verde, coalha a luz do sol!
E que infinita mágoa
Eu sinto, quando o tempo, a escorrer água,
Como um fantasma esvoaça
E lhes despe a verdura, o mimo, a graça.
E têm vozes de choro,
Nas ramagens, que agita um zéfiro de agouro;
São suspiros de dor, ais tristes de abandono,
A elegia do outono.
E esse canto ideal
Satura-me de bruma espiritual;
Dilui-me num crepúsculo sem fim,
E vivo para tudo e morro para mim...
Teixeira de Pascoaes, Vida Etérea (1906)
À luz do sol, em dias estivais,
O rústico mendigo,
Junto de vós, encontra abençoado abrigo…
Deita-se, a descansar
Do seu pesado e eterno caminhar.
Sob os ramos em flor,
Que dão à sua mágoa alívio, aroma e cor.
Porque a humana tristeza.
Perante a Natureza,
Embebe-se de azul, de cantos de ave
E se afasta de nós mais pálida e suave.
Ó árvores piedosas.
Pelas manhãs formosas.
Quando etéreo fulgor, que se anuncia.
Vossas lágrimas muda em risos de alegria!
Bendito o vosso corpo imaculado,
A arder, num lar sagrado.
Bendito o vosso fruto e flor, que vem dos céus.
Minhas irmãs em Deus.
Que simpatia imensa
Me prende à sua angélica presença,
Onde, em cristais, retine a voz do rouxinol
E, em tinta verde, coalha a luz do sol!
E que infinita mágoa
Eu sinto, quando o tempo, a escorrer água,
Como um fantasma esvoaça
E lhes despe a verdura, o mimo, a graça.
E têm vozes de choro,
Nas ramagens, que agita um zéfiro de agouro;
São suspiros de dor, ais tristes de abandono,
A elegia do outono.
E esse canto ideal
Satura-me de bruma espiritual;
Dilui-me num crepúsculo sem fim,
E vivo para tudo e morro para mim...
Teixeira de Pascoaes, Vida Etérea (1906)



Linda partilhar, um verdadeiros Odes a natureza como bálsamo para a alma. Grata. Norma
ResponderEliminarhttps://pensandoemfamilia.com.br/cronica/encontro-entre-dois-saberes/
Krásné básnické slovo dokáže prosvětlit den. V horkém létě nám stromy poskytnou blahodárný stín. ☺ Děkuji za krásné verše, Maria.
ResponderEliminarUna belleza de poema que disfruté de principio a fin. Un abrazo, Maria.
ResponderEliminarSe lee fluido, se entiende el amor
ResponderEliminarpor lo creado , la necesidad de preservar.
Arbo fuente de vida.
Belleza pura. Un color rosado que da mucha vida. Me gustan mucho estos árboles verlos cada verano. Cuando llega el buen tiempo.
ResponderEliminarUn abrazo enorme.
Mónica.