segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Outonal - Poema de Florbela Espanca




Caem as folhas mortas sobre o lago;
Na penumbra outonal, não sei quem tece
As rendas do silêncio... Olha, anoitece!
- Brumas longínquas do País do Vago...

Veludos a ondear... Mistério mago...
Encantamento... A hora que não esquece,
A luz que a pouco e pouco desfalece,
Que lança em mim a bênção dum afago...

Outono dos crepúsculos doirados,
De púrpuras, damascos e brocados!
- Vestes a terra inteira de esplendor!

Outono das tardinhas silenciosas,
Das magníficas noites voluptuosas
Em que eu soluço a delirar de amor...


Florbela Espanca



4 comentários:

  1. Boa tarde de outono, querida amiga Maria!
    O Amor fica latente no friozinho aconchegante.
    Muito bonito o poema da Florbela.
    Tenha dias abençoados!
    Bjm carinhoso e fraterno

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  2. Olá Maria
    Florbela Espanca nada a comentar, gosto muito de seus poemas, às vezes até me identifico com eles.
    Outono é tudo isso e mais um pouco.
    Gosto da estação, gosto das folhas coloridas que caem o chão
    Boa semana
    Beijo

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  3. Fico rendida aos Poemas Sesta Poetisa! Obrigada pela partilha!
    --
    Um rosto sombrio...
    -
    Beijo e uma excelente semana.

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  4. Um dos sonetos mais sensuais de Florbela. Também gosto muito muito dele.
    Uma decoração muito bela, num 'post' muito apelativo...
    Boa semana. Tudo pelo melhor. Abraço amigo.
    ~~~~~~

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