30/01/2024

3 Noite - Bernardina Vilar




Esvai-se a luz do sol lá no infinito...
A terra inteira cobra-se de luto
Mas as estrelas num piscar bendito
Vão fazendo o clarão do seu reduto.

Por entre as sombras, pressuroso, aflito
Joga-se o rio no penhasco abrupto
Da ave noturna o estridente grito
Corta o silêncio a estrondar de súbito.

Depois a terra dorme. E de mansinho
A lua surge. E pelo seu caminho
Vai desfazendo o crepe dos negrumes.

E a. serra, de luar acobertada,
De pouco em pouco vai ficar bordada
Com um turbilhão de luz de vagalumes.


Bernardina Vilar



27/01/2024

7 Se eu pudesse ... Pensamento de Mahatma Gandhi





Se eu pudesse deixar algum presente à você, deixaria aceso o sentimento de amar a vida dos seres humanos.
A consciência de aprender tudo o que foi ensinado pelo tempo a fora. Lembraria os erros que foram cometidos para que não mais se repetissem.
A capacidade de escolher novos rumos.
Deixaria para você, se pudesse, o respeito aquilo que é indispensável.
Além do pão, o trabalho. Além do trabalho, a ação. E, quando tudo mais faltasse, um segredo: o de buscar no interior de si mesmo a resposta e a força para encontrar a saída.

Mahatma Gandhi



23/01/2024

4 A Palavra - Eduardo White





A palavra renova-se no poema.
Ganha cor,
ganha corpo,
ganha mensagem.

A palavra no poema não é estática,
pois, inteira e nua se assume
no perfeito,
no perpétuo movimento
da incógnita que a adoça.

A palavra madura é espetáculo.
Canta.
Vive.
E respira. Para tudo isso
basta
uma mão inteligente que a trabalhe,
lhe dê a dimensão do necessário
e do sentido
e lhe amaine sobre o dorso
o animal que nela dorme destemido.
A palavra é ave
migratória,
é cabo de enxada,
é fuzil, é torno de operário,
a palavra é ferida que sangra,
é navalha que mata,
é sonho que se dissipa,
visão de vidente.

A palavra é assim tantas vezes
dia claro
sinal de paisagem
e por isso é que à palavra se dá,
inteiramente,
um bom poeta
com os seus sonhos,
com os seus fantasmas,
com os seus medos
e as suas coragens,
porque é na palavra que muitas vezes está,
perdido ou escondido,
o outro homem que no poeta reside.


Eduardo White



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