Mostrar mensagens com a etiqueta Octavio Paz. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Octavio Paz. Mostrar todas as mensagens

06/03/2026

3 Destino de Poeta - Octavio Paz





Palavras? Sim, de ar,
e no ar perdidas.
Deixa-me perder entre palavras,
deixa-me ser o ar nuns lábios,
um sopro vagabundo sem contornos
que o ar desvanece.

Também a luz em si mesma se perde.


Octavio Paz, in "Liberdade sob Palavra"




24/01/2018

0 Silêncio - Poema de Octavio Paz





A Assim como do fundo da música
brota uma nota
que enquanto vibra cresce e se adelgaça
até que noutra música emudece,
brota do fundo do silêncio
outro silêncio, aguda torre, espada,
e sobe e cresce e nos suspende
e enquanto sobe caem
recordações, esperanças,
as pequenas mentiras e as grandes,
e queremos gritar e na garganta
o grito se desvanece:
desembocamos no silêncio
onde os silêncios emudecem.


Octavio Paz, in "Liberdade sob Palavra"
Tradução de Luis Pignatelli


0 Dia - Poema de Octavio Paz




De que céu caído,
oh insólito,
imóvel solitário na onda do tempo?
És a duração,
o tempo que amadurece
num instante enorme, diáfano:
flecha no ar,
branco embelezado
e espaço já sem memória de flecha.
Dia feito de tempo e de vazio:
desabitas-me, apagas
meu nome e o que sou,
enchendo-me de ti: luz, nada.

E flutuo, já sem mim, pura existência.


Octavio Paz, in "Liberdade sob Palavra"
Tradução de Luis Pignatelli



Topo