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01/08/2026

7 Velas - Maria de Santa Isabel


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Lá foram as velas, riscando no vidro
brilhante das águas
mensagens de luz:
legendas de espuma
num adeus de mar largo!
Das asas marinhas salgadas no ar
vinha uma presença de Terra partindo,
além, mundo fora!
em vez dos meus olhos
que, apenas, ao longe,
trouxeram das algas
vestígios de mar…


Maria de Santa Isabel




18/06/2026

6 O meu Moinho - Maria de Santa Isabel


Scrapbook page with Dutch river and tulips - AI image
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Oh meu velho moinho! Que saudade!
Há quanto tempo já não vinha ver-te!
Minha doce lembrança! Vou dizer-te
O grato sentimento que me invade!

Encontro, agora, em ti a minha infância,
Meu eterno passeio de menina,
Num murmúrio de fonte cristalina
Se avisa em tintas leves e distância!

O meu banco de pedra! O rosmaninho,
Que há tanto aqui deixei e se conserva,
Como em cofre de sonho se reserva,
Florindo no passado, o meu caminho!

A tarde vai caindo, mansamente,
Mas eu nem dou por ela, enternecida,
Como quem vê num sonho a própria vida
A projectar-se ao longe, docemente!

Fico esquecida, assim, a recordar,
Matando esta saudade que trazia!
Como tudo é igual na fantasia
E na tranquila paz deste lugar!

Daqui avisto a minha terra, agora,
Como piedoso altar que se levanta,
Erguendo ao Céu essa Rainha Santa,
Que em milagres floriu, consoladora!

Que importa o tempo?... Eu vivo a fantasia!
Que importa a morte?... A vida é que domina!
Se até, na gota de água cristalina,
O mundo se renova, em cada dia…

Ai quem me dera aqui poder ficar,
Neste velho moinho, recordando!
Sem dar que pelo tempo ia passando,
Sem o tempo consigo me levar…


Maria de Santa Isabel Estremoz – Janeiro de 1945





05/04/2026

0 Conselho - Maria de Santa Isabel


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No meu passado há sol: há claridade,
Que à sombra do futuro resplandece,
Quanto mais o caminho me escurece,
No presente, que é feito de saudade.

Encontro ainda tanta suavidade
Ao relembrar! Ás vezes, me acontece
Sentir o coração que me envelhece,
A reflorir de novo em mocidade!

Sempre é doce o passado recordar:
- Aprende a envelhecer tranquilamente,
Colhe da vida o que ela te quer dar…

Envelhecer assim não custa nada:
É como quem procura, no poente,
A estrela que brilhou na madrugada…


Maria de Santa Isabel




23/03/2026

6 Poemas incertos - Maria de Santa Isabel




Os poemas incertos
em tempos perdidos
foram descobertos
pelos meus sentidos!
Abriram as asas,
levaram o sonho
sobre ideias rasas
que ainda suponho
vestir de poesia:
Desencontros de Alma
que, no dia a dia,
benze a verde palma
da Melancolia!


Maria de Santa Isabel



06/02/2026

4 Silêncio - Maria de Santa Isabel




O silêncio da noite ergueu-se, agora,
Como fantasma que surgiu da bruma:
Silêncio enorme que se esfuma...
A vida é outra, agora;
A noite a idealiza...
A noite elege a calma Poesia,
Como um gesto de Deus, acaricia...
Tudo se abranda e purifica...
Minha alma é toda branca:
Sobre o negro da noite, ela aparece
Como gema de luz,
Que, em estojo de sonho, resplandece...


Maria de Santa Isabel



30/10/2025

6 Prece - Maria de Santa Isabel





Ave Maria, minha Mãe do Céu:
Novembro, o mês da morte, aproximou-se,
Toldando o nosso olhar como se fosse
Um denso véu.
Há rosas desmaiadas no canteiro;
É triste a luz do dia;
Parece que um anseio de agonia
Envolve o mundo inteiro!

Rezemos pelos mortos, nesta hora;
Oh Mãe do Céu, ouvi a nossa prece!
Olhai, até parece
Que a natureza chora!
A chuva cai, espavorida;
o vento agita-se, bravio,
Transindo-nos de frio
A alma dolorida!

- Dai aos mortos, Senhor, a paz infinda
Que só no Céu existe,
E os vivos, neste mundo, hostil e triste,
Uma crença maior, maior ainda!


Maria de Santa Isabel




30/08/2025

12 Flor de Esteva - Maria de Santa Isabel





Venho encontrá-la já quase a morrer,
A minha pobre "esteva do montado",
Que, antes, eu vira alegre, florescer,
Junto à "linda" riscado pelo arado!

Levei ao Casalinho de Bel Vêr
A rainha do grande descampado;
Mas ela não quis mais ali viver,
Sem "maios" e "roselas" ao seu lado

Falta-lhe o ardor do sol alentejano,
Aquela sombra amiga dos sombreiros...
Já não teve as "geadas" deste ano.

E morre de saudade e nostalgia,
Sem ter o barro e a cal por companheiros ,
Queimada pelo ar da maresia.


Maria de Santa Isabel
Maria Palmira Osório de Castro Sande Meneses e Vasconcellos Alcaide
In Flor de Esteva




12/07/2025

7 Primavera - Maria de Santa Isabel





Quero-te bem, ó doce primavera,
Que vens encher de cor minha vida:
Minha irmã - alegria tão querida,
Meu ideal de sonho, de quimera!

Em mim, sentir-te sempre, quem me dera;
Adoro ver a terra assim florida,
Por esse teu aroma entontecida,
Toda vida, glicínias, folhas de hera.

Eu vou colher, além , nos olivais,
Madressilvas, roselas, lírios bravos,
A anémona, um lilás de tons ideais...

A primavera passa...mais um dia ...
E, sobre a mesa, vão murchando os cravos...
Como o Tempo esfolhou minha alegria!


Maria de Santa Isabel
(Maria Palmira Osório de Castro Sande Meneses e Vasconcellos Alcaide)
In Flor de Esteva



09/03/2025

8 Melancolia - Maria de Santa Isabel





Porque trouxeste as horas já vividas
Para, neste momento, recordar?
Porque notaste as lágrimas caídas,
Que jamais tornaremos a chorar?

A vida não tem páginas relidas,
Tudo nela é constante renovar,
E nós somos as folhas ressequidas
Dum poema que o Outono vai rasgar...

Folhas mortas, que ficam sossegadas,
Deixai-as para sempre nas estradas...
Para que levantá-las, Ventania?

Antes de morrer na paz do esquecimento,
Do que ser arrastada pelo vento,
Em hora de cruel melancolia...


Maria de Santa Isabel
(Maria Palmira Osório de Castro Sande Meneses e Vasconcellos Alcaide)
In Flor de Esteva



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