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08/11/2025

6 Espanto - Maria Alberta Menéres





Uma gota de chuva
suspensa de um telhado

dá-lhe o sol e parece
pequena maravilha

É um berlinde, dizem
crianças entre si

É uma bola, e bela
mas não rebola, brilha!

É a lua? Uma bolha
de sabão de brincar?

Um balão? Um brilhante
de uma estrela vaidosa?

Diz a velhinha olhando:
Quem chorou essa lágrima?

Uma gota de chuva
suspensa de um telhado:

chegou uma andorinha
engoliu-a e voou.

Maria Alberta Rovisco Garcia Menéres de Melo e Castro




21/01/2018

0 Pretexto - Poema de Maria Alberta Menéres




Por que não cai a noite, de uma vez?
— Custa viver assim aos encontrões!
Já sei de cor os passos que me cercam,
o silêncio que pede pelas ruas,
e o desenho de todos os portões.

Por que não cai a noite, de uma vez?
— Irritam-me estas horas penduradas
como frutos maduros que não tombam.

(E dentro em mim, ninguém vem desfazer
o novelo das tardes enroladas.)


Maria Alberta Rovisco Garcia Menéres de Melo e Castro



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