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10/09/2026

0 As aldeias - António Gomes Leal





Eu gosto das aldeias sossegadas,
com o seu aspeto calmo e pastoril,
erguidas nas colinas azuladas,
mais frescas que as manhãs finas de Abril.

Pelas tardes das eiras, como eu gosto
de sentir a sua vida ativa e sã!
Vê-las na luz dolente do sol posto,
e nas suaves tintas da manhã!...

As crianças do campo, ao amoroso
calor do dia, folgam seminuas,
e exala-se um sabor misterioso
de agreste solidão das suas ruas.

Alegram as paisagens as crianças
mais cheias de murmúrios do que um ninho:
e elevam-nos às coisas simples, mansas,
ao fundo, as brancas velas dum moinho.

Pelas noites de Estio, ouvem-se os ralos
zunirem nas suas notas sibilantes...
E mistura-se o uivar dos cães distantes
com o cântico metálico dos galos.


António Gomes Leal





18/01/2018

0 Carta ao Mar - Poema de António Gomes Leal

Carta ao Mar


Deixa escrever-te, verde mar antigo,
Largo Oceano, velho Deus limoso,
Coração sempre lírico, choroso,
E terno visionário, meu amigo!


Das bandas do poente lamentoso
Quando o vermelho sol vai ter contigo,
- Nada é mais grande, nobre e doloroso,
Do que tu, - vasto e húmido jazigo!


Nada é mais triste, trágico e profundo!
Ninguém te vence ou te venceu no mundo!...
Mas também, quem te pode consolar?!


Tu és Força, Arte, Amor, por excelência! -
E, com tudo, ouve-o aqui, em confidência;
- A Musica é mais triste inda que o Mar!

António Gomes Leal, in 'Claridades do Sul'




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