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24/01/2026

11 Canção das Aves - António Correia de Oliveira





 Benditos sejam os ramos
De generosa beleza
Nossa casa e nossa mesa,
E dos filhos que criamos.

De manhã, mal acordamos.
Louvamos a natureza;
Em cantos também se reza:
Eis porque tanto cantamos!

Vamos, depois, campos fora,
Chamando a fonte que chora
Refrescando a luz em brasa

Mas nada igual à alegria
De voltar, ao fim do dia,
Ao seio da nossa casa!


António Correia de Oliveira



17/01/2018

0 A Alma das Árvores - Poema de António Correia de Oliveira





Eis-nos mortas, de rastos, pelo chão!
E fomos belas, altas e frondosas;
E demos doces frutas saborosas
Que mataram a sede e foram pão.


Em nós, cheias de enlevo e mansidão,
Fizeram ninho as aves amorosas;
Pelas sestas de Julho, a arder, piedosas,
Fomos a sombra e a voz da solidão.


Fomos o berço do homem e o seu lume;
Demos-lhe bênção, cantos e perfume;
Caixão, em nós descansa até final.


Demos a vida a quem nos tira a vida:
Mas só nos doi a ingratidão sofrida
De um mal inútil, feito só por mal!


António Correia de Oliveira






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