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18/06/2026

O meu Moinho - Maria de Santa Isabel


Scrapbook page with Dutch river and tulips - AI image
Pode ver outras incríveis criações digitais na minha galeria: Arte em AI



Oh meu velho moinho! Que saudade!
Há quanto tempo já não vinha ver-te!
Minha doce lembrança! Vou dizer-te
O grato sentimento que me invade!

Encontro, agora, em ti a minha infância,
Meu eterno passeio de menina,
Num murmúrio de fonte cristalina
Se avisa em tintas leves e distância!

O meu banco de pedra! O rosmaninho,
Que há tanto aqui deixei e se conserva,
Como em cofre de sonho se reserva,
Florindo no passado, o meu caminho!

A tarde vai caindo, mansamente,
Mas eu nem dou por ela, enternecida,
Como quem vê num sonho a própria vida
A projectar-se ao longe, docemente!

Fico esquecida, assim, a recordar,
Matando esta saudade que trazia!
Como tudo é igual na fantasia
E na tranquila paz deste lugar!

Daqui avisto a minha terra, agora,
Como piedoso altar que se levanta,
Erguendo ao Céu essa Rainha Santa,
Que em milagres floriu, consoladora!

Que importa o tempo?... Eu vivo a fantasia!
Que importa a morte?... A vida é que domina!
Se até, na gota de água cristalina,
O mundo se renova, em cada dia…

Ai quem me dera aqui poder ficar,
Neste velho moinho, recordando!
Sem dar que pelo tempo ia passando,
Sem o tempo consigo me levar…


Maria de Santa Isabel Estremoz – Janeiro de 1945





6 comentários:

  1. Querida Maria,
    As doces lembranças sempre farão parte da nossa vida, são elas que nos dão força para continuar mesmo com as decepções da vida!
    Um abraço!

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  2. Unos versos conmovedores y preciosos. Me quedaría feliz en ese molino! Un abrazo, Maria.

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  3. Que lindo! As lembranças que são despertadas são bálsamos para nossas saudades, Amei. Boa tarde.

    https://pensandoemfamilia.com.br/textos/como-vai-a-saude-mental/

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  4. Belíssimo poema, que muito apreciei.
    Bom fim de semana.
    Abraço de amizade.
    Juvenal Nunes

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  5. Maria, há poemas que se leem, e há poemas que nos recebem como um lugar de retorno. Este é um deles. A delicadeza da memória, do moinho e da infância transformou a saudade em paisagem. Confesso que também estou encantado com o seu espaço poético, onde palavra e sensibilidade caminham de mãos dadas. É sempre um prazer passar por aqui e encontrar tanta beleza. Meus cumprimentos pela belíssima partilha.

    Abraços fraternos,
    Daniel

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  6. Valorar el lugar donde se conoció de verdad
    la felicidad es algo que siemrpe debemos hacer
    valorar esos lugares que dieron vida
    Abrazos.

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